24 de mar de 2011

Óculos Escuro

Acessório indispensável no meu cotidiano, devo assumir. 
Funciona como uma máscara quando quero, ou até quando devo, me esconder não só dos vigorosos raios solares, mas também do mundo lá fora. Consigo me refugiar atrás de uma armação posta sobre meu nariz e orelhas que a princípio e para muitos, tem o mero encargo de proteger-nos dos danos que o astro ardente pode nos causar, mas há também quem diga que os olhos são as janelas para a alma e eu às vezes prefiro deixá-las fechadas, só por segurança. É como um refúgio, o que é difícil de assumir, já que sou vista pela grande maioria como arrogante e estúpida, o que pra estes mesmos é sinônimo de insensibilidade, é também o que faz com que não se importem com meus melindres, e eu na verdade, prefiro que nem o faça! 
De qualquer forma, é indescritível a sensação de poder observar com absoluta discrição todos os transeuntes e formular estórias e comentários cômicos em cerca de minutos no vazio da imaginação. Bem, e o que torna tudo mais engraçado é o fato de as pessoas acharem que, por estar coberta por lentes escuras, não as consigo enxergar com os olhos me fitando incessantemente de cima abaixo, fazendo sobre mim uma crítica com certeza tão engraçada quanto a que eu faço dela.
São inúmeros modelos, diversas cores, vários tamanhos, aspectos não muito importantes mas que me divirto escolhendo de acordo com meu humor. Me sinto nua quando não estou acompanhada do meu fiel escudeiro, me sinto vulnerável aos olhares perversos e cheios de pré-conceitos refletidos em minha direção, mas quando ponho uma de minhas "máscaras" de certa forma me protejo e é engraçado ver na feição de cada um não o pré-conceito, mas sim uma dúvida engraçada do que está por trás do meu escudo.
Minha intenção não é esconder-me por trás de grandes armações, é interpretar meu humor junto a um grande amigo inanimado, às vezes elevar minha auto-estima "naqueles" dias ou simplesmente rir dos mortais que encontro no caminho de casa quando me visto de algo mais... Ousado.   

9 de mar de 2011

Ansiedade.

Ele acordava e logo checava o celular. Não, ele não queria saber quantas horas eram, isso ele já sabia, ele queria saber se ela não havia mandado uma mensagem sequer ou telefonado no meio da noite. Antes de ir ao trabalho, a caixa de correio... Vazia, apenas algumas contas à pagar, mas nada que ela enviara. No trabalho, checava o e-mail, na hora do almoço o celular sempre a mão, mas nada, ela não ligava há semanas, nem mesmo mandava mensagens, nem uma correspondência, nada. 
Faltavam 8 dias pro aniversário dela, ele queria ligar, não sabia se devia; ele queria enviar um presente, ele na verdade, só queria deixar claro que havia se lembrado, ele sempre se lembrava. 
Por fim, decidira tentar não se preocupar mais, se ela não havia ligado é porque já não se lembrava ou nem importava, mas de qualquer forma as lembranças estavam acesas em sua mente e sempre que se encontrava ocioso elas retomavam junto às lágrimas, mas já não havia nada a fazer e ele havia decidido não sacrificar seu coração, mesmo que talvez fosse se arrepender mais tarde. 
Então foi assim, ou pelo menos tentou que fosse por seis longos dias e já no sétimo, na iminência de ligar, a campainha tocou e o barulho pareceu explodir sua cabeça, não esperava ninguém embora desejasse alguém. Ao abrir a porta lentamente sentiu o coração batendo com mais força, mais intensidade e ao erguer a cabeça o brilho nos olhos desapareceu, era engano, o entregador de pizzas e ele não havia pedido pizza alguma, mas naquele instante resolveu pedir, aceitou a pizza como sendo sua, pagou pela mesma e em frente à tv, saboreou 8 suculentos pedaços que por alguns minutos conseguiram distraí-lo daquela atmosfera obscura na qual acabara dormindo debruçado em um prato lambuzado de molho ao som de uma comédia nacional meia-boca que era televisionada durante a madrugada. 
Antes de ser acordado pelo despertador, a campainha tocou novamente pela manhã, era sábado, aniversário dela e a ressaca moral pesava após uma pizza inteira e 2 litros de refrigerante. Foi rumo à porta com o rosto sujo e os olhos entreabertos arrastando uma pantufa velha pelo chão sujo da casa de um jovem de 26 anos. Abriu a porta sem muita preocupação e os olhos com certa dificuldade, mas quando se deu conta de quem estava perante a porta, a grande dificuldade foi em se manter de pé. Ela largou as malas no chão, pulou nos braços ainda fracos dele, caíram no chão e ele conseguiu alguma energia pra puxar um forte riso e dá-la um forte abraço. Ela começou a se explicar e ele a interrompeu, agora ele não precisava de palavras, fossem estas de consolo, perdão ou explicação, o que ele tanto queria, agora já possuía. Ao olhá-la na face os seus olhos brilhavam e a boca alargava em um enorme sorriso, suas mãos chacoalhavam e algumas lágrimas fugiam-no dos olhos. 
Já ela, se culpava, e envergonhada pedia pra que as portas do coração dele se fechassem para sempre, para que então ela nunca mais pudesse sair. 

1 de mar de 2011

Autora desconhecida, texto esplêndido.

Coitados de vocês homens que jamais saberão como é gostosa a sensação de sempre ter a preferência. Vocês que nunca poderão pôr a culpa na cólica ou na TPM; que jamais verão graça em perder um dia todo no shopping, só vendo as vitrines. Oh, homens, que não sabem como é revigorante falar sobre todo e qualquer assunto com suas amigas; que não têm ideia de como é traumatizante quebrar uma unha; não entendem, de verdade, como é triste acordar com o cabelo oleoso. Vocês, homens, tão ingênuos, nunca enfrentarão a indecisão na hora de escolher um esmalte. Não irão, nem ao menos, poder seduzir alguém fazendo somente um biquinho de birra. Homens, que acreditam ser superiores, nem sabem como é gostoso e, ao mesmo tempo, cruel estar sobre um salto agulha. Ficarão a vida toda sem saber como é bom ser abraçada por um homem alto e largo, com braços grandes e fortes. Homens, meninos, caras, garotos… nunca, nunca entenderão quão importante é passar lápis nos olhos antes de sair de casa; quão triste o final de “O Diabo Veste Prada” realmente é; quão sexy um cara inteligente pode ser. Jamais terão ideia de como é legal não precisar atravessar a rua na faixa, já que alguns caras doentes param pra que você possa passar. Vocês, inocentes, que não imaginam quantas coisas descobrimos durante nossas conversas rotineiras de banheiro; que não sabem como é gostoso morrer de chorar com um pote de sorvete no colo. Homens que jamais poderão reclamar de um corte na perna feito pela gillette durante o banho; que jamais perceberão como é difícil entender um cara; que jamais poderão gritar ao ver uma barata ou qualquer outro inseto; que jamais, jamais mesmo, poderão ficar em casa só de baby look e calcinha. Vocês, machistas, que nunca sentirão a tão comentada, e totalmente feminina, dor da rejeição; que jamais saberão como é triste viver sendo paranóica, ciumenta e temerosa de ser substituída. Jamais esfregarão uma perna na outra, tentando afastar uma leve onda de excitação repentina; jamais saberão como é gostosa a sensação que te obriga a morder os lábios ao ver o peito nu de um cara gato; jamais entenderão o prazer existente que há em ler um romance. Homens, pobres homens, que não sabem, nem nunca saberão, como é gostoso chorar quando há um cara realmente preocupado contigo te abraçando; como é revigorante usar um vestidinho leve quando o calor está infernal; como é comum e extremamente natural o ato de chorar até dormir, molhando todo o travesseiro. Vocês, garotos, que nunca terão ideia de como nossos assuntos são interessantes e, mais do que isso: masculinos. Nunca poderão ficar o dia todo com as pernas cruzadas. Nunca poderão cantar loucamente, mesmo estando sozinhos, refrões como “HOW DO I GET YOU ALONE?!!!!” e, portanto, nunca entenderão como é gostosa a sensação de gritar enquanto se canta. Nunca poderão fazer vozes estranhas enquanto brincam um bebê ou um animal. Nunca, nunquinha, vão poder passar um batom básico porque acordaram com a boca sem cor, e, devido a isso, jamais saberão como é revigorante acordar dispondo de uma rica quantidade de batons - úteis ou não. Homens, simplesmente homens, que jamais ganharão um vibrador de aniversário de sua amiga mais íntima; que jamais entenderão como é frustrante usar uma calça com a calcinha marcada; que jamais poderão sequer abrir a boca para reclamar sobre “dores abdominais”, já que nenhum homem fala isso; que jamais poderão xingar outros homens que arrotam no meio das refeições; que jamais saberão como é gostosa a sensação de saber que o cara tá afim de ti e ficar somente provocando. Homens que nunca poderão reclamar de uma garota-sem-atitude; que nunca poderão fazer balé sem serem julgados; que nunca entenderão nosso mundo; que nunca entenderão que, para nós, coisas pornográficas (como revistas, filmes etc) são motivos de risos e não de… tesão; que nunca saberão como é bom ficar excitada sem aparentar. Garotos, coitados de vocês, que não podem bater na bunda de ninguém; que não podem falar sobre certos assuntos com seus amigos; que não entendem a graça fantástica por trás de “Romeu e Julieta” e acham que é somente mais uma mera história romântica barata. Pobres são vocês, homens, sempre tão garotos, que são completamente abatidos por uma gripe básica e dizem ser fortes. Oh, meninos, coitados, que têm que lidar com todos os pensamentos de garotas ao longo de suas vidas sem jamais conseguir entender um deles sequer. Vocês entenderiam se não fossem meros meninos. 
(autora desconhecida)