9 de mar de 2011

Ansiedade.

Ele acordava e logo checava o celular. Não, ele não queria saber quantas horas eram, isso ele já sabia, ele queria saber se ela não havia mandado uma mensagem sequer ou telefonado no meio da noite. Antes de ir ao trabalho, a caixa de correio... Vazia, apenas algumas contas à pagar, mas nada que ela enviara. No trabalho, checava o e-mail, na hora do almoço o celular sempre a mão, mas nada, ela não ligava há semanas, nem mesmo mandava mensagens, nem uma correspondência, nada. 
Faltavam 8 dias pro aniversário dela, ele queria ligar, não sabia se devia; ele queria enviar um presente, ele na verdade, só queria deixar claro que havia se lembrado, ele sempre se lembrava. 
Por fim, decidira tentar não se preocupar mais, se ela não havia ligado é porque já não se lembrava ou nem importava, mas de qualquer forma as lembranças estavam acesas em sua mente e sempre que se encontrava ocioso elas retomavam junto às lágrimas, mas já não havia nada a fazer e ele havia decidido não sacrificar seu coração, mesmo que talvez fosse se arrepender mais tarde. 
Então foi assim, ou pelo menos tentou que fosse por seis longos dias e já no sétimo, na iminência de ligar, a campainha tocou e o barulho pareceu explodir sua cabeça, não esperava ninguém embora desejasse alguém. Ao abrir a porta lentamente sentiu o coração batendo com mais força, mais intensidade e ao erguer a cabeça o brilho nos olhos desapareceu, era engano, o entregador de pizzas e ele não havia pedido pizza alguma, mas naquele instante resolveu pedir, aceitou a pizza como sendo sua, pagou pela mesma e em frente à tv, saboreou 8 suculentos pedaços que por alguns minutos conseguiram distraí-lo daquela atmosfera obscura na qual acabara dormindo debruçado em um prato lambuzado de molho ao som de uma comédia nacional meia-boca que era televisionada durante a madrugada. 
Antes de ser acordado pelo despertador, a campainha tocou novamente pela manhã, era sábado, aniversário dela e a ressaca moral pesava após uma pizza inteira e 2 litros de refrigerante. Foi rumo à porta com o rosto sujo e os olhos entreabertos arrastando uma pantufa velha pelo chão sujo da casa de um jovem de 26 anos. Abriu a porta sem muita preocupação e os olhos com certa dificuldade, mas quando se deu conta de quem estava perante a porta, a grande dificuldade foi em se manter de pé. Ela largou as malas no chão, pulou nos braços ainda fracos dele, caíram no chão e ele conseguiu alguma energia pra puxar um forte riso e dá-la um forte abraço. Ela começou a se explicar e ele a interrompeu, agora ele não precisava de palavras, fossem estas de consolo, perdão ou explicação, o que ele tanto queria, agora já possuía. Ao olhá-la na face os seus olhos brilhavam e a boca alargava em um enorme sorriso, suas mãos chacoalhavam e algumas lágrimas fugiam-no dos olhos. 
Já ela, se culpava, e envergonhada pedia pra que as portas do coração dele se fechassem para sempre, para que então ela nunca mais pudesse sair. 

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