22 de jan de 2013

Rota, roteiro, rotina

Ele acorda todos os dias impreterivelmente às seis e trinta e cinco. Todos os dias calça sua pantufa velha que a mãe dera-lhe, vai ao banheiro, enxágua o rosto e escova os dentes. Todo e qualquer dia ele volta a passos lentos para o quarto, ajeita a cama e pega o uniforme do trabalho. Todas as manhãs ele deixa o café ser feito pela cafeteira enquanto assiste ao jornal matinal, e quando o café está pronto ele sempre o assopra de leve para ter a lente do seu óculos embaçadas.
Todos os dias, quando o jornal acaba, arrastando as pantufas ele se dirige ao banheiro e ao terminar seu banho, calça as velhas pantufas novamente para chegar até o sapateiro, afim de calçar o mesmo sapato, com o qual todos os dias ele vai ao trabalho. 

Quando o relógio anuncia nove horas, ele está entrando pelas portas do escritório, todas as manhãs. Os ponteiros, quando marcam meio-dia e trinta, avisam que está na hora de ligar para o mesmo restaurante e pedir que entreguem a mesma comida, de preferência no mesmo horário também.
Todas as noites, às dezenove horas e cinquenta e dois minutos, ele está trancando as portas da sala onde trabalha. Ao chegar em casa, antes de mais nada, tira os sapatos e calça as pantufas, que estavam a esperá-lo na porta, vai à cozinha e retira qualquer coisa pré-assada da geladeira. Enquanto espera que fique pronta a sua comida, ele liga o chuveiro e observa as cinco primeiras gotas d'água atingirem o chão para que ele finalmente possa tomar o seu banho - sempre evitando pensar em qualquer coisa que possa perturbá-lo.
Após alimentar-se, arrasta-se novamente ao banheiro, escova seus dentes e engole dois comprimidos inevitavelmente acompanhados por meio copo de água. Sempre se certifica de ter trancado a porta - dando duas voltas na fechadura - para finalmente abandonar as pantufas à beira da cama. E por fim, toda noite, com as luzes apagadas, mas ainda de olhos bem abertos, deseja intensamente que algo possa surpreendê-lo no dia seguinte. 

20 de jan de 2013

O suficiente


"Ser feliz, basta pra você?" Alguém já te fez essa pergunta? O que afinal é "ser feliz"? 
Ser feliz é acordar cedo todos os dias pra ter a oportunidade de ver o sol nascer; é tomar banho de chuva sem se preocupar em ficar gripado; é ler um bom livro; escutar uma boa música - desde que você cante e dance junto, é claro; é comer quanto chocolate tiver vontade sem se preocupar com a balança; é ver uma criança sorrir e sorrir também. Ser feliz é dormir de conchinha, nem que seja com o travesseiro; é assistir filmes em tardes chuvosas; é estar ao lado de quem gosta de você; é viajar, nem que seja apenas na imaginação; é ter o corpo inteiro doendo depois de malhar muito, desde que isso te faça sentir bem.
A felicidade está ao sentar para ouvir e contar histórias aos amigos; ao saber rir de si; ao passar o dia inteiro na piscina sem pensar nos problemas de gente grande. 
A felicidade está em um copo de café, em um agasalho, em uma fotografia, em uma lembrança.
Ser feliz é escrever cartas, mas ser muito feliz é recebê-las. Ser feliz é beijar, enquanto ser muito feliz é ser beijado. Ser feliz é telefonar pra alguém com quem não fala a muito tempo, ser muito feliz é receber, desse mesmo alguém, um telefonema.  
Mas pra você, isso é o suficiente? 

8 de jan de 2013

Apenas mais uma de amor

Tentei ir embora duas ou três vezes, ele não deixou. Não que ele tenha me prendido com cordas e correntes, foram só suas palavras, elas foram mais rígidas que qualquer objeto que ousasse me prender de fato.
Fingir que quer que eu vá embora e quando eu já estiver fechando a porta chamar o meu nome: não há nada que ele faça que amoleça mais o meu coração.
Ele sabe como me irritar e põe suas "técnicas" em prática todos os dias; sabe como me fazer sorrir e sabe bem como agir quando quer me ver implorar por alguma coisa. 
Como não gostar do seu abraço reconfortante?! Como não me apaixonar pelas suas pirraças? Como não ceder o meu casaco pra ele usar de travesseiro durante a madrugada? Não consigo sequer olhar dentro de seus olhos sem sorrir.
Me prende com os próprios lábios. Neles encontro tudo que o faz mais meu. Assim como a cada dia mais minh'alma está um pouco mais nua, deixo de me ser, pra tornar-me sua.

7 de jan de 2013

Viver é uma arte. Ler, faz parte.

Feliz aquele que se aventura a ler as inúmeras estórias e causos que muitos outros se arriscam a escrever. Reconheço-me dentro dos dois grupos: dos que narram e daqueles que interpretam e me sinto honrada ao findar um texto pois, por mais que eu não goste dele, desejo profundamente que alguém o aprecie, e mais que isso: se identifique com pelo menos parte das coisas que ali escrevi.
Quando eu jogo as palavras no papel espero que elas o tornem mais belo, mas não pra mim, pra quem irá ler. Quando escrevo, estou me transcrevendo pra uma parte do papel, por isso não me preocupo em me agradar, mas quero sempre agradar alguém. 
Escrever se assimila ao viver. Não vivo para mim apenas, deixo-me ser como sou e espero que aqueles que comigo estão me entendam e gostem de mim pela minha essência, assim como quando escrevo. 
Hoje é dia do leitor. Sim, é o meu dia e é o seu dia também! Dia em que nós podemos comemorar a graça de sermos conquistados por tantos escritores, que se preocupam em enfeitar nossas vidas com palavras que são mais que ditas: são eternizadas em uma folha de papel, em uma página de um blog, em uma nota de rodapé, em um bilhete pregado na geladeira ou em um cartão de felicitações. Feliz dia do leitor, que eu possa, como escritora, continuar enfeitando a vida daqueles que aqui me visitam, e ainda, como leitora, continuar me apaixonando pelo encanto de tudo o que leio.