16 de mar de 2013

Do outro lado da linha


Estava cansado da velha cidade, dos velhos amigos, dos velhos bares, da velha rotina, da velha vida velha que ele já levava há vinte e poucos anos. Decidiu, portanto, mudar-se. 
Mudou de cidade, não tinha amigos ainda, não tinha uma rotina, não conhecia os bares e não sabia o que esperar da nova cidade quanto menos da nova vida. Ao contrário do que ele imaginava, a mudança já começou dando trabalho: foi preciso repetir um semestre da faculdade de Antropologia que estava prestes a acabar e ainda precisou se instalar em um hotel durante o primeiro mês, enquanto procurava por um apartamento onde pudesse de fato morar.
Era início de abril, estava fechando negócio com o dono de um apartamento próximo à universidade em que estudava, pegou o carro e foi conhecer o bairro no qual estava prestes a morar, ignorando o horário e a escuridão. Na volta pro hotel, um letreiro luminoso um tanto vulgar chamou sua atenção, não hesitou em estacionar. 
Entrou e procurou logo um lugar pra se sentar - próximo ao balcão do bar, preferencialmente. Enquanto bebia o drink mais barato do menu, analisava as pessoas frenéticas na pista de dança e continha o riso na boca, ria apenas com olhos. 
Foram esses mesmos olhos sorridentes que notaram uma das poucas mulheres bonitas daquele lugar, sentada na outra ponta do bar. Aproximou-se, por curiosidade à princípio, mas não foi preciso chegar muito perto pra perceber que a garota não estava em seu melhor estado. Ofereceu ajuda, por educação, e recebeu um sim inesperado como resposta. Com muita dificuldade a menina, que trajava uma calça branca e uma blusa que já havia sido da mesma cor mas que no momento se encontrava manchada pelas mais diversas bebidas, lhe deu o endereço do apartamento onde morava. Chegou no endereço sem grandes dificuldades, deixou-a dentro de casa e entregou um papel com o número do seu telefone para a menina que aparentemente também morava ali. Ao fechar a porta deixou escapar um sorriso no canto da boca, era inacreditável: como poderia "a moça bonita do bar" morar no mesmo prédio para o qual ele se mudaria na próxima semana? 

6 de mar de 2013

Hoje todos somos "Chorões"

Acho engraçada a facilidade que temos em desviar as atenções. Uma notícia se torna comoção, que facilmente se transforma em críticas, discussões e até competições. Hoje acordei com a notícia da morte de - na minha opinião - um grande nome do rock brasileiro. A noticia veio em forma de mensagem e a primeira coisa que fiz foi procurar os noticiários da web: decepção confirmada.
Nas redes sociais não fiz mais que "curtir" algumas homenagens e "compartilhar" alguns trechos de músicas, mas muita gente demonstrou grande tristeza e por mim, tudo bem. A questão é que, com tanto estardalhaço na mídia, o foco muda da notícia para a competição entre os que se dizem fãs e os que verdadeiramente são. Isso é o que me chateia mais. Não me importa se verdadeiramente estão comovidos ou não, se escutavam as músicas todos os dias ou se participavam do fã clube. O que importa, pra mim, é que a música perdeu mais um dos seus grandes homens e como diria um desses tantos que já se foram: "os bons morrem jovens".
Suas músicas permanecem, suas frases de efeito e seu estilo de vida não estão sob a lápide, estas são eternas e o nosso "céu azul" ganhou hoje mais um astro.

2 de mar de 2013

Dona


Seu sorriso torto é só meu, princesa.
Seu olhar envergonhado quando faço alguma correção no seu português também, assim como o seu abraço apertado e as coisas que você diz pra me implicar. Sim, é tudo meu, afinal, você é minha. 
Não me importa quantos homens te desejem, eles nunca sentirão o que eu sinto quando te vejo sorrir. Não me importa quantos professores corrijam o seu vocabulário, você não olha pra eles como olha pra mim. Não importa quantas pessoas te abracem, porque aquele abraço é só nosso e também não me importo que você seja chata com todo mundo, eu sei que no final das contas a única pessoa que você quer implicar sou eu.
Mas não preciso que ninguém me diga nada disso, o meu coração conhece a dona.