11 de jun de 2013

Sem açúcar

Café gelado ou quente, com creme, pingado, capuccino, mocaccino, expresso, solúvel, frapuccino, hawaiano, curto ou longo, tanto faz, eu quero é sem açúcar e com toda cafeína que eu tiver direito. É pra descer amargo, combinando com a vida, desses que a gente até faz careta quando engole, porque tenho a sensação que também é assim quando as pessoas têm que me engolir. Não, não adianta tentar me enganar, eu também já fiz caretas pra engolir certas pessoas - e certos cafés - não muda nada, eu sei, o gosto ainda é péssimo, mas a cara torta, a língua pra fora e os olhos apertados deixam a situação mais cômica e tudo que engraçado faz bem pro coração. Foi meu cardiologista quem disse.

4 de jun de 2013

Fila


Precisaria tirar meus olhos de você. Meu coração também. Os pensamentos idem, mas é inútil, não sei como fazer e portanto preciso encontrar um lugar confortável para ficar, para estar, para esperar. Não sei por quanto tempo, não sei o tamanho da fila que há na minha frente, não sei o quanto é preciso esperar, mas eu vou. 
Espero sentada, em pé, deitada de lado, de bruço, para cima, pernas cruzadas ou abertas, olhos abertos ou fechados, cantando, calada, murmurando, eu espero. 
Nem me dou o trabalho de vestir o relógio, que é pra não ficar muito ansiosa e transmitindo angustia. Vou com uma roupa velha e quentinha, que é pra ficar bem e suportar o frio (do tempo e do seu coração). Levo comigo uma mochila também, minha mãe me ensinou a ser prevenida: um remédio pra má digestão, caso eu precise engolir algum sapo; um analgésico, pra aguentar as intermitentes dores no coração; um relaxante muscular, pra suportar a espera e a minha péssima postura. Fora os remédios, uma garrafa d'água bem fria pra me acordar dos eventuais sonhos, algumas barras de cerais, afinal são tantas barras pra segurar, que mais algumas não me farão mal. Um chocolate pra aliviar a tensão e um sal caso a pressão caia e eu também. 
Estou aqui na fila, quando for a minha vez, não esqueça de me chamar.