4 de jun de 2013

Fila


Precisaria tirar meus olhos de você. Meu coração também. Os pensamentos idem, mas é inútil, não sei como fazer e portanto preciso encontrar um lugar confortável para ficar, para estar, para esperar. Não sei por quanto tempo, não sei o tamanho da fila que há na minha frente, não sei o quanto é preciso esperar, mas eu vou. 
Espero sentada, em pé, deitada de lado, de bruço, para cima, pernas cruzadas ou abertas, olhos abertos ou fechados, cantando, calada, murmurando, eu espero. 
Nem me dou o trabalho de vestir o relógio, que é pra não ficar muito ansiosa e transmitindo angustia. Vou com uma roupa velha e quentinha, que é pra ficar bem e suportar o frio (do tempo e do seu coração). Levo comigo uma mochila também, minha mãe me ensinou a ser prevenida: um remédio pra má digestão, caso eu precise engolir algum sapo; um analgésico, pra aguentar as intermitentes dores no coração; um relaxante muscular, pra suportar a espera e a minha péssima postura. Fora os remédios, uma garrafa d'água bem fria pra me acordar dos eventuais sonhos, algumas barras de cerais, afinal são tantas barras pra segurar, que mais algumas não me farão mal. Um chocolate pra aliviar a tensão e um sal caso a pressão caia e eu também. 
Estou aqui na fila, quando for a minha vez, não esqueça de me chamar. 

3 comentários:

  1. Adorei o texto, baixinha. Continue escrevendo que irá muito longe, tenho certeza.
    "Só quem aprende com as dificuldades da vida, alcança os sonhos do coração"

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  2. Parabéns!! Seus textos estão cada vez melhores!!
    Me espanto com tanta beleza e harmonia que suas palavras possuem.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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