2 de ago de 2013

Receita


Juventude e coragem estão lado a lado, nascem e envelhecem assim. Talvez não sejam gêmeas, mas afirmo que são siamesas, tão juntinhas que é difícil separar. Claro que as exceções existem: alguns jovens já nascem um pouco velhos devido a falta de coragem, enquanto alguns velhos - dotados de uma coragem espetacular - estendem a validade de sua juventude, mas de regra a maturidade, ou às vezes só a idade mesmo, traz consigo uma insegurança que a juventude e a coragem insistem em ignorar. 
Quando a juventude ainda vigora, a coragem trata de nos mostrar a vida com um aspecto enfeitado, sendo que o céu não é o limite e nenhum tombo é grande demais, ou seja, sempre é possível levantar e buscar um novo objetivo, afinal, somos jovens, não há o que temer. 
O tempo passa e o mundo não perde o brilho nem os enfeites, mas perde pessoas, oportunidades e decisões e a cada uma dessas perdas, a cada tropeço e a cada decepção, a síndrome de super heroi dá lugar a uma síndrome bem mais incômoda que dói nos ossos e na mente. 
Aqui, o céu também não é o limite, são as escadas, que dificultam a passagem de um senhor que necessita do auxílio de uma bengala. Quanto aos tombos, eles também não são grandes demais, são grandes o suficiente para debilitar uma senhora com osteoporose. 
Entre a juventude e a experiência há um caminho que se estreita cada vez mais e a percepção disso nos põe em xeque e aumenta o medo, mas o segredo da receita - e foi um cara muito sábio quem me contou - está em não deixar que a juventude se esgote, deixe-a bem amarradinha à coragem e alimente-as todos os dias de forma saudável, bem cedinho, logo ao acordar e então o caminho não parecerá tão estreito assim, nem.tampouco curto.