1 de set de 2014

Tic Tac

"O tempo cura tudo": mentira! Digo isso com propriedade porque o que cura meu choro em dia de TPM é chocolate; o que cura meu cansaço é a minha cama cheia de travesseiros e almofadas; o que cura meu tédio é uma tarde fazendo brigadeiro, conversando com os amigos, assistindo a um filme ou fazendo um picnik no parque; minhas espinhas, o que as cura é meu sabonete anti-acne; já as minhas dores são curadas pela minha bolsa térmica e às vezes um analgésico. 
Minha cara emburrada tem cura com abraço; meu desespero econômico com o recebimento do salário; minha desilusão em relação a vida se cura com um filme água com açúcar acompanhado de pipoca com muita manteiga; minha gordurinha localizada só acha a cura na academia... 
Filosofia de vida estranha essa dizer que a cura está na inércia. Esperar não cura nada, agir sim. Novos erros podem vir a ser cometidos e podem também servir para curar os antigos. Cruzar os braços em frente ao relógio de parede não cura nada além de queijo, mas correr com relógio de pulso e só checá-lo de vez em quando te faz no minimo mudar de lugar, o que já é sensacional. Sem fontar a paisagem que inspira, a respiração ofegante que nos faz ter certeza da vida e as pessoas em quem nos esbarramos ao longo do caminho. Viver não é esperar.

3 de jun de 2014

O fim, enfim.

Foi egoísta por inúmeras vezes, mas é que no fundo ela sabia que as palavras dele não queriam dizer o que pareciam. Sempre que brigavam, um pedia ao outro pra desaparecer, para que pudessem viver em paz... Amar é um tormento. O desaparecimento chegou a acontecer, mas nunca de fato. Nada mais que quinze dias, quinze dias convertidos em trezentas e sessenta horas de agonia e medo. 
Havia se tornado dependência, das mais diversas formas, tanto emocional quanto física. Nos últimos seis meses, depois de dois anos e meio, as brigas se tornaram mais frequente e mais intensas. Um balão prestes a explodir. Explodiu.
Explodiu sobre ela quando ele pediu pra que ela não entrasse mais em contato com ele e daquela vez parecia realmente sério. Ela se viu dividida entre o egoísmo de não perdê-lo ao atormentá-lo com a sua presença e ver-se ruir junto a uma história edificada cheia de buracos por tanto tempo, mas que pra ela, eram fáceis de serem tampados com o mínimo de boa vontade e amor.
Ele ficou exatamente um mês sem falar com ela enquanto ela insistia em algo que aos poucos deixava de existir. Quando a verdade vem, pura e simples, sem firulas e sem vergonha, é uma pancada que faz desmaiar. Esteve desacordada, pois, completamente fora da realidade, sem se importar com o tempo ou com as outras pessoas, sem ligar para obrigações ou regras de boa etiqueta. Ruiu. 
Sentiu ruir e viu desabar. Tentou segurar as pontas, mas a queda era forte demais. Olhou com dor no coração os cacos do relacionamento pelo qual ela mais se dedicara até então. Sorriu com o cantinho da boca, teve certeza de que tinha valido a pena. Deu as costas e começou a construir sua nova história. 

6 de mar de 2014

Sobre o querer

Sempre quero escrever de madrugada, mas de madrugada sempre tenho sono. A teimosia me é suficiente pra escrever não mais que, sei lá, umas quinze linhas. 
Sonho mesmo é em poder escrever enquanto sonho, escrever o que eu sonho. Se sonho dormindo ou se sonho acordada pouco importa, quero relaxar o corpo e transformar ação em texto, em prosa e em poesia. É sempre o contrário, já cansei dessa mesmice de ver livro virar filme, quero ver os filmes que correm na minha cabeça virando livros. 
Quero dormir pra sonhar mais e quero permanecer acordada pra escrever mais. Quero sonhar enquanto escrevo e escrever enquanto eu sonho. 
Quero viver de escrever, escrever pra viver, quero escrever enquanto como e sobre o que as coisas eu como, sobre o que vejo e como as vejo, sobre quem sou e quando sou, mesmo quando quero ser alguém que só sou por querer. Fantasia.
Até ontem não sabia o que queria, mas aí quis saber e resolvi querer o sempre quis: escrever.

13 de fev de 2014

Anjos

Anjos existem e às vezes aparecem na forma de um casal de meia idade que mora no apartamento bem ao lado. Quem diria que em uma noite de chuva intensa como esta, que Brasília não via a dias, eu esbarraria em um anjo no corredor enquanto eu observava o celular carregando?
Foram tantas ofertas e preocupações com tamanha boa vontade que a princípio fiquei acanhada e recusei todas elas, afinal já está completando uma semana a luz de velas e de acordo com toda a burocracia procedimental, ainda me restam três dias de esperança pra que a luz volte sem que eu tenha que ameaçar a empresa.
Ao contrario da Central de Energia Elétrica de Brasília, os meus anjos - também conhecidos como vizinhos - eram bem insistentes e prestativos, não desistiram enquanto não conseguimos resolver parte dos meus probemas.
Foram concedidos a mim o acesso a internet e um cabo de extensão, que está pendurado pela janela, ligado na tomada do apartamento deles mas com as saídas no meu, para que eu possa ligar meus aparelhos eletrônicos em segurança. Como se isso já não fosse alegrar a minha noite - o suficiente inclusive pra me fazer escrever sobre isso - ainda me ofereceram a máquina pra lavar as minhas roupas.
Mais cedo eu havia feito uma nota mental que afirmava algo parecido com: "perdi a fé nas pessoas" e nem me lembro direito o porquê, mas meus anjos vieram pra que eu pudesse repensar meus conceitos e aumentar a minha fé.  

12 de fev de 2014

O som e o sorriso

Há seis dias venho reclamando a ausência de energia elétrica nos 30m², que orgulhosamente chamo de casa, aos amigos próximos. Meus banhos são gelados; não posso abrir sequer um leite, pois a geladeira me serve unicamente como armário; não posso cozinhar - nem mesmo macarrão instantâneo; o microondas? Serve apenas como suporte para as velas que me auxiliam após as 20 horas. Nada de televisão ou música e o celular só se mantem aceso graças a uma tomada que encontrei perdida pelo corredor do prédio.
Além da falta de energia, é impossível não resmungar sobre o calor e o clima seco, que juntos são capazer de provocar a ira até da pessoa mais serena. Hoje, quarta-feira, fui surpreendida por gotinhas de chuva que atravessaram a janela e atingiram a minha testa enquanto eu saboreava um pouco de Agatha Christie, claro, à luz de velas, uma vez que o relógio rosa pendurado na parede já indicava um pouco mais que 21h. 
Interrompi a leitura por um instante e me dei o prazer de aproveitar os pingos gelados da chuva enquanto eu sentia bater o vento que ameaçava apagar as chamas que contribuíam para com a minha leitura, mas também com o calor. 
Ao fundo, uma melodia suave e dessa vez não era criação e interpretação da orquestra que habita a minha cabeça, a música vinha de uma janela próxima, era o vizinho musicista. Tive vontade de sair correndo pra agradecê-lo pela trilha sonora, me contive e o máximo que fiz foi correr para pegar uma caneta e um pedaço de papel, eles não escapariam ao incidente que me proporcionou o ápice de alegria no decorrer de uma semana: uma boa companhia - meus livros de cabeceira, um bom clima e uma boa melodia. 
Com tudo isso e apesar das tantas relamações, que é do meu feitio fazer, acredito que ainda posso dizer que me alegro com pouco e até mesmo isso, deixa-me ainda bastante mais contente.

31 de jan de 2014

31 de janeiro

Engraçado, exatamente no dia em que é completado um mês que estou longe do seu abraço; do seus afagos; da sua risada e das suas reclamações, (des)comemoro um sentimento que traduz a falta que você me faz.
Não sei o que levou alguém a tratar o dia de hoje como o Dia da Saudade, mas há um mês, todos os meus dias têm sido dela.

O sol apareceu menos, as manhãs começaram tarde, as noites têm sido mais longas e a cama me parece duas vezes maior. Falta muito pra eu poder sentar com você e tentar te obrigar a tomar suco de beterraba? E será quanto falta pra juntarmos as canecas - juntar escovas é muito velha guarda. Agora me diz se falta muito pra brigarmos pelo espaço na cama, pra tomarmos mais um café da manhã juntos, pra começarmos a assistir algum filme e eu dormir nos primeiros quinze minutos, pra eu te abraçar apertado, pra você brigar comigo porque adotei uma gata e sou alérgica a pelos.
Vem logo encher o seu sorriso de açaí e o meu coração de amor.

11 de jan de 2014

Achei

Eu não sabia o que fazer com o ócio, dormi.
Não sabia o que fazer com a fome, comi.
Nem sabia o que fazer com as lágrimas, então sorri. 
Quando não soube o que fazer com a saudade, te procurei. Olhei nas ruas e nos retratos, procurei em músicas, procurei nas cartas, mas o único lugar em que te achei foi no passado.