12 de fev de 2014

O som e o sorriso

Há seis dias venho reclamando a ausência de energia elétrica nos 30m², que orgulhosamente chamo de casa, aos amigos próximos. Meus banhos são gelados; não posso abrir sequer um leite, pois a geladeira me serve unicamente como armário; não posso cozinhar - nem mesmo macarrão instantâneo; o microondas? Serve apenas como suporte para as velas que me auxiliam após as 20 horas. Nada de televisão ou música e o celular só se mantem aceso graças a uma tomada que encontrei perdida pelo corredor do prédio.
Além da falta de energia, é impossível não resmungar sobre o calor e o clima seco, que juntos são capazer de provocar a ira até da pessoa mais serena. Hoje, quarta-feira, fui surpreendida por gotinhas de chuva que atravessaram a janela e atingiram a minha testa enquanto eu saboreava um pouco de Agatha Christie, claro, à luz de velas, uma vez que o relógio rosa pendurado na parede já indicava um pouco mais que 21h. 
Interrompi a leitura por um instante e me dei o prazer de aproveitar os pingos gelados da chuva enquanto eu sentia bater o vento que ameaçava apagar as chamas que contribuíam para com a minha leitura, mas também com o calor. 
Ao fundo, uma melodia suave e dessa vez não era criação e interpretação da orquestra que habita a minha cabeça, a música vinha de uma janela próxima, era o vizinho musicista. Tive vontade de sair correndo pra agradecê-lo pela trilha sonora, me contive e o máximo que fiz foi correr para pegar uma caneta e um pedaço de papel, eles não escapariam ao incidente que me proporcionou o ápice de alegria no decorrer de uma semana: uma boa companhia - meus livros de cabeceira, um bom clima e uma boa melodia. 
Com tudo isso e apesar das tantas relamações, que é do meu feitio fazer, acredito que ainda posso dizer que me alegro com pouco e até mesmo isso, deixa-me ainda bastante mais contente.

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