23 de set de 2015

Inspirações:

Nas últimas semanas houveram muitas... A cada passo que era dado, já acostumado a compor minha rotina, cinco palavras introduziam um texto em minha cabeça, mas nenhum deles superou duas linhas. Bem, neste acaba de ser iniciada a terceira! Então acho que tirei a poeira do motor - oficialmente. A sensação é um pouco extasiante, diria até colorida pra quem ousa compreender sinestesia e para aqueles que me permitem ir mais longe, digo combinar com o cheiro de flor que sai da primavera, que há pouco disse "Olá".
As inspirações pra escrever se confundem às vezes com uma ânsia de querer me fazer entender, é um pouco parecido com a sensação que se tem quando se está diante do pôr do sol mais bonito da sua vida, mas você não possui uma câmera em mãos para registrá-lo. Paranoia da era digital, talvez... Para os conservadores ou "mais reservados" é simples exibicionismo e necessidade de aprovação social, mas pra mim é só uma vontade incontrolável de que as pessoas compreendam a singularidade do momento. 
Não que a fotografia seja sempre fidedigna, longe disso! A era digital também nos presenteou com os programas de edição, mas ainda assim, como os textos - pra mim - são a segunda melhor forma de expressão.
Em seguida vem a dança, quase lado a lado com a fotografia, disputando minha dedicação e meu encanto. Quem nunca se permitiu chorar ao assistir um espetáculo de ballet? A era digital felizmente não nos suprimiu certos prazeres! E mais: podemos ver o mesmo espetáculo um milhão de vezes, durante inúmeras horas, sem o desgaste físico dos bailarinos e sem precisarmos sair de casa ou gastar além da mensalidade do Wi-Fi. 
Mas é claro que a dança não está lá sozinha, a música considero sua gêmea siamesa: correm unidas como se compartilhassem o mesmo espírito. Não sobrevivo um dia completo sem música e como não pode deixar de ser, os pés e o pescoço tímidos se responsabilizam por representar a minh'alma que dança sozinha dentro do corpo e reproduz os mais elaborados movimentos da dança. 
Isso tudo pra dizer que eu estava me sentindo presa e não só com a alma presa ao corpo, mas presa à rotina dos passos acelerados, sem tempo pra sentar num banco sábado à tarde e fotografar os hábitos alimentares dos passarinhos ou mesmo os passos acelerados de outras pessoas e claro, o meu tão amado pôr do sol. Sentia que estava presa às obrigações de uma universitária recém chegada aos 20 e não podia mais me dar o prazer de ocupar um salão cheio de espelhos e música, nem mesmo voltar depois de tanto tempo a me sentar em frente a um bateria pra me arriscar com baquetas em mãos.
Na verdade, não posso mesmo, pelo menos por enquanto... Mas como me permiti esquecer do meu maior prazer que nada demanda de mim além de papel, caneta e coração
Sempre me faço promessas e juras de amor eterno: um texto por semana, no mínimo! Mas não posso me culpar, minha natureza é assim... eu vou mas sempre acabo voltando, a atração é natural e só vivo bem quando me faço entender explorando a minha arte, escrever. 

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