8 de set de 2017

Manhã

Acorda, bebe água, faz café. Enquanto a agua esquenta, escova os dentes, escolhe a roupa. Chaleira apita. Faz um cigarro pra tomar com o café. Fruta ou biscoito? Fruta, mas depois biscoito. Toma banho, confere os e-mails, lê três notícias. Celular apita. Pega um livro, calça metade do sapato - o cadarço deixa pra amarrar na parada de ônibus. Corre pra parada vendo o ônibus passar. Esqueceu a bolsa. Volta pra casa. Confere o cabelo, pega a bolsa, amarra o cadarço. Rega as plantas sobreviventes. Respira. Sai, tranca a porta. Esqueceu o óculos no banheiro. Abre a porta, corre no banheiro, checa o cabelo, desiste - se correr até a parada de ônibus o cabelo já saiu do lugar. Corre. Tropeça no meio fio e dá risada porque já acostumou com essa falta de jeito. Vê um rato morto em frente ao bueiro. Para de rir, quase chora. Segue o baile. Chega ao ponto de ônibus, um ônibus passa, não é esse. O segundo, também não. Três, quatro, cinco, nada. Passa o oitavo, acena, motorista não para. Tudo certo, ainda em tempo. Outro ônibus, acena, sobe, "bom dia, motorista" sem resposta, cobrador dormindo, outro bom dia sem resposta.
Uma passageira aqui na frente com uma criança de banho tomado, cabelo todo bem tratado, tênis limpo, uniforme, mochila em bom estado. Criança fala demais, adulto não tem paciência, mas diz que ama e teria mais.  
Outra passageira ali, fone de ouvido, celular, tectectec. 
Dois adolescentes, uniforme, riso alto, mata aula, quer mesmo é andar de skate, dormir até mais tarde. Escola, que saco. Quando acaba? Pro primeiro, ano que vem, se forma. Pro segundo, esse ano, abandonou, cansou de estudar, ano que vem vai trabalhar na loja do tio, vender celular. 
Do outro lado do corredor, executivo. Pasta preta. Gel no cabelo bem cortado. Celular, tectectec. Negócios, documentos, chaves, pastas. 
Escolhe um lugar com mais sombra pra sentar. Ônibus essa hora tem lugar pra sentar. Dá pra escolher. Quem dera sempre assim. Respira. O dia vai começar.  

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